segunda-feira, 15 de outubro de 2007

PEIXE E PÃO


Não se sabe de onde surgiu o tema aziago, só que surgiu de repente, azedou a conversa e deu no que deu: uma dirigindo o carro feito doida, com os altofalantes do Ipod enterrados na orelha e a outra com o nariz grudado no vidro da janela, sem ver nada. Que típico.
Nem viram as casas antigas que passavam, nem os manacás floridos na descida da serra. Nem notaram os treze túneis da Imigrantes ou as pontes sobre a mata verdinha. Nem sentiram o perfume enjoativo dos lírios brancos do manguezal ao redor da refinaria.
Quando chegaram à praia, chuviscava, daquela garoinha emburrada da orla, que faz com que a roupa grude no corpo.
Havia amanhecido.
Sentadas nas pedras da ponta da praia, olhando o mar e as gaivotas, eram duas estátuas enfezadas. Ela, tão linda, tão loira, tão escancaradamente jovem. Pena o beicinho... A outra, uma múmia encharcada.

Lá pelas tantas, o sol já alto no céu, resolveram almoçar ali mesmo, no meio dos pescadores, das madalenas e dos cachorros vira-latas. Peixe e pão, prá que mais?

O importante é que então ela já sorria, e voltaram a se falar.

- Adoro isso. O mar e tal...


foto: José Roberto



2 comentários:

João Eduardo Q. C. disse...

Repartir o pão...
Multiplicar os peixes...
Sorrisos em todas as caras!

Com a minha indiscrição, Dalva, você pode me dizer quem eram as personagens mulheres? Não, acho melhor não saber e deixar isso na subjetividade mesmo.

Beijos,

João Eduardo

João Eduardo Q. C. disse...

Pareceu sim... Se fosse 2 homens não caberia, nesse texto, a licença poética do benefício da dúvida, o que dá um dó do universo masculino. Eu disse universo? Mundinho masculino já estaria de bom tamanho. (rs)

Obrigado e logo mais estarei de volta bebendo da fonte dos seus textos marcantes!

Beijos,

João Eduardo