segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O TEMPO PASSA
















O tempo passa, meu caro amigo! O tempo passa, minha amiga! Melhor ainda: o tempo voa - nós é que não temos consciência disso, feliz ou infelizmente. Seguimos distraídos pela vida, malgastando nossos preciosos momentos, sem pensar que, lá na frente, esse tempo gasto em banalidades
irá nos fazer tanta falta.
"Parece que foi ontem", é o que certamente todos nós dizemos ao nos referirmos aos eventos pretéritos: a nossa infância querida, a adolescência com todos os seus terríveis probleminhas, os árduos anos da vida de casado, a chegada de cada um dos nossos filhos, o casamento de cada um deles,a nossa inesperada viuvez... Parece que foi ontem, mas não foi.
De repente, sem aviso prévio, os nossos dias vão ficando cada vez mais curtos, e as nossas noites cada vez mais longas. A solidão se instala.
Aquele café-da-manhã barulhento, repleto de gente ao redor do pão quentinho e do café cheiroso, não acontece mais. O almoço do domingo, com sua a costumeira macarronada e o seu indefectível frango assado, já não ocorre mais. A solidão...
Sem entender muito bem o como e nem o porquê, somos todos empurrados para fora de casa: para o clube, a pracinha, o boteco da esquina. Engrossamos a procissão dos velhos e das velhas, com seus coletes de lá e seus cachecóis, suas bengalinhas e seus chapéus anacrônicos, todos caminhando trêmulos pelas alamedas da cidade, vindos de todos os ex-lares, ex-empregos, ex-famílias, ex-vidas, com destino a sabe-se lá que Eldorado, onde o tempo não corra, ou pelo menos que não corra tão depressa.

foto: Max Ferguson

9 comentários:

angela disse...

Deve ser assim, eu ainda estou longe de andar assim...rsrsrrs
Deve haver alguma graça na velhice que eles não nos contam, a maioria não quer partir.
Como sempre a crô nica esta enxuta e linda.
beijos

Concha disse...

É o tempo, o que eu não sei controlar..., é o tempo a passar.
É ver o que ontem era jovem e belo tornar-se em velhice, e ver a maldade dos anos a passar por nós também....
Beijinhos

Cacau disse...

É duro pensar que, comigo e com minha irmã fora de casa, meus pais envelhecem mais rápido, assistem a casa esvaziar mais rápido...

Eu, aqui, me sinto envelhecendo mais cedo também. Eu que sempre sonhei sair da casa dos meus pais só casando ou com a vida profissional se estabelecendo, ou ambos...

E aí dói os cafés da manhã sem eles do lado, dói chegar num lugar vazio, sem minha mãe pra conversar, pra perguntar dos dias, pra ouvir coisas da infância...

Sinto que o dia que esta falta fizer algum sentido (porque agora não faz nenhum, parece um erro no tempo) eu vou ficar um pouco mais jovem e um pouco mais pronta pra envelhecer de fato...

Mas dói ver que esse é o envelhecimento dos meus pais, o início de rostinhos mais enrugados, olhares mais solitários e distâncias que o tempo constrói tão meticulosamente!

Ao menos vocês adultos, ao que parece, entendem mais dessa coisa que tanto nos apavora...

Dri Viaro disse...

Boa tarde, passei pra conhecer seu blog, e desejar-lhe boa quarta-feira.
bjss

aguardo sua visita :)

João Eduardo Q. C. disse...

Nossa, Dal... Eu só não dei aquela engolida seca ao ler o seu texto, porque acabei de arrematar o jantar com um belo e gelado copo de Coca-Cola. Se você soubesse como meu medo em relação a envelhecer anda aflorado e uma repentina solidão anda me rondando. Eu achava que completar 40 anos seria um divisor de águas, mas me enganei, pois a perda da minha mãe agora aos 44 é que foi.
Bem, mas esse texto está lindo; dá pra perceber que cada palavra possue uma delicadeza, assim, escolhidas a dedo.

Beijos!

Larissa Bohnenberger disse...

É, o tempo boa. O que faz os bons momentos da nossa vida senão as banalidades do dia-a-dia?

A solidão é necessária, não deve ser tão temida. O mundo tá tão louco com cada vez mais gente nos fazendo tropeçar nelas pelas ruas, que cada momento de solidão, pra mim é precioso.

Bjs!

Plinio disse...

Belo e inteligente texto. Ajuda a refletir e a tentar viver o hoje com dignidade e alegria antes que ele vire ontem porque, como já dizia Gibran, a vida não anda para trás nem se demora com os dias passados.
Abrs.

Suzi disse...

Tenho pensado nisso, Dalvinha. E acho que sou ermitã de nascença. Amo os meus e adoro sua companhia. Mas solidão é algo que definitivamente não me assusta. Ao contrário, eu anseio por ela em determinados momentos.
beijos!!

Jose Ramon Santana Vazquez disse...

... ...traigo
sangre
de
la
tarde
herida
en
la
mano
y
una
vela
de
mi
corazon
para
invitarte
y
darte
este
alma
que
viene
para
compartir
contigo
tu
bello
blog
con
un
ramillete
de
oro
y
claveles
dentro...


desde mis
HORAS ROTAS
Y AULA DE PAZ


TE SIGO TU BLOG




CON saludos de la luna al
reflejarse en el mar de la
poesia ...


AFECTUOSAMENTE
CASOS LIGEIROS




jose
ramon...