quinta-feira, 19 de agosto de 2010

AS JANELAS DO COMPUTADOR












Houve uma época em que eu andava mal, bem mal. Minha vida estava toda enrolada, o casamento falido, a mãe doente, filhos pequenos, salário estagnado... Eu estava na pior: não comia direito, dormia mal, sentia uma tristeza profunda e uma angústia sem esperança. Não conseguia enxergar luz nenhuma no fim do túnel.
Para acabar de piorar, sou daquelas pessoas que não têm fé. Só acredito no que a ciência comprova. Para mim, A + B = C. Sem exceção.
De nada me servem os livros de auto-ajuda, as orações poderosas, os santinhos, as figas, os despachos, as macumbas. Se eu não creio em nada! Aí fica mais difícil, pois tenho que engolir a coisa a seco. Fazer o quê?
Foi então que eu contraí a mania da Internet, e tudo então se resolveu. Abrir as janelas do computador foi como abrir as janelas do mundo, deixar entrar o ar puro na minha vida e deixar sair o gás carbônico acumulado. Fiz amizades pelo país todo e até no exterior, com gente maravilhosa e que eu amo e sempre amarei de paixão.
Primeiro foram as salinhas de bate-papo. Sob a proteção do anonimato, com um nickname charmoso tipo Paloma, Rusalka, Pallas Athena e/ou outros, eu tinha amigas e amigos íntimos, com os quais eu falava (ou melhor, escrevia) sobre coisas que jamais falaria com as pessoas ao meu redor. E também ouvia (ou melhor, lia) confissões e desabafos que denunciavam claramente o baita oceano de isolamento involuntário no qual viviam aqueles meus cyber amigos. Todo mundo andava mal, todo mundo estava perdido, todo mundo procurava uma mão estendida, um ombro amigo. Ninguém queria ser uma ilha, mas por um motivo ou por outro, tinha ficado ilhado.
Veio o convite para entrar no Orkut. Ali, as comunidades mais estapafúrdias me receberam de braços abertos, e não foram poucas as horas que eu gastei defronte ao meu PC, rindo sozinha no meio da noite ou no meio do dia. É! Eu ria pela primeira vez em muitos anos, ria sem motivo, ria do ridículo das coisas, ria de mim mesma. Santo Orkut, muitas vezes tão mal-usado, e no entanto acredite: salvou muita gente da depressão.
Descobri então os blogs, e criei um só meu, que no começo tinha um nomezinho metido a besta: "The road not taken" e que depois resolvi rachar em "Casos Ligeiros" e "Poesias Soltas". Quis dividir poesia prum lado e prosa para o outro, sei lá por quê.
Agora eu tenho Email, Facebook, Orkut,Twitter, MSN é claro, e participo de alguns outros sites de ópera e música clássica, onde eu entro e quase não falo, para não revelar a extensão da minha imensa ignorância. Fico ali ouvindo, lendo, socializando, curtindo e aprendendo - é a minha nova chance de ser alegre, minha cyber vida.

A tristeza já era. Viva a a inclusão digital!


Obs: utilizando a prerrogativa do direito de autor, mudei o título e algumas outras coisas muito importantes. Não confundamos depressão com tristeza. A primeira precisa de médico, a segunda só faz parte.



7 comentários:

José Doutel Coroado disse...

Cara Dalva,
ora, aí está algo de positivo deste mundo "virtual"...
conhecer gente, dar-nos a conhecer, ainda que atrás de um nick, ganhar "amigos" virtuais...
tudo coisas boas!
que superam as "coisas" menos boas que, por vezes, nos acontecem na net.
abs

angela disse...

Quem não tem cão caça com gato.
Quem fica parado é poste.
E vai dai a fora, a questão toda é começar a se mexer, caminhar e deixar que as coisas aconteçam. E elas acontecem.
beijos

Valdecy Alves disse...

Leia matéria em meu blog de como utilizar a arte para criar uma consciência de preservação do patrimônio histórico material e imaterial. Caso Município de Senador Pompeu, Ceará. Leia, comente e divulgue:http://www.valdecyalves.blogspot.com/

Gus The Theatre Cat disse...

Eu que o diga!
Por mares nunca navegados, tal qual Camões. Quem te viu e quem te vê.
Fico contente de ser uma ínfima parte dessa sua "floração".
Agora, dona Dalva, dizer que não fala para não revelar, (o que?) a extensão da sua sapiência, essa é que é a verdade.
"Quem te viu, quem te vê" é música que a saudosa Elis cantava...
Menina!, só dá bom fruto quem tem boas raízes, e isso, você não pode negar, isto você tem de sobra...

e-Jonny disse...

Oi, Dalvíssima! Faz um tantinho de tempo que não nos vemos virtualmente, né? Mas, nosso último papo pelo msn foi ótimo. É bom saber que faço parte desse lado bom da virtualidade para você.

Eu comprei meu 1o. computador em 1998. Comprei um top de linha da IBM com todos os outros periféricos. De um dia pro outro estava na internet, a discada. Um mundo se abriu de fato para mim, assim como se abriu pra você, mas um outro se fechou, o mundo real. A inveja correu solta na repartição por conta dessa minha aquisição, e eu não percebi o tamanhão da mesma. Colegas que ganhavam 3, 6, 10 x mais que eu demoraram pra se render às delicías de um computador conectado na web, óbviamente não por falta de dinheiro pra comprarem, mas pela estagnação do ser. Isso me atrapalhou demais, pois eu deixei de fazer parte da unanimidade burra. Quando esses colegas de repartição e amigos passaram a ter computador, o que pra eles era novidade, pra mim já era uma coisa antiga. Passei um bom tempo me contendo nas minhas nerdísses para fazer parte de grupos ainda engatinhando cibernéticamente. Achava isso uma mala sem alça e sem rodinhas, mas me fazia de dã e ajudei muita, muuuuita gente que teve problemas com hard e softwares. Sempre fui uma pessoa deslocada no tempo, e o que é pior, talvez, deslocada pra frente, um pouco além da conta. Resumo da ópera: tristeza é uma constante na minha vida.

Agora me faz um cafuné que tô carente! (Kkkkkkkkkkkkkk...)

Beijos e um ótimo feriadão!

CarolBorne disse...

Ô bons tempos aqueles do Mi Español es fueda, quando a gente combatia las PQMCE! Saudadeira desgramada!

Lisara disse...

Eu estive aqui. Fiquei roxa, gurias!
Bjunda!