
Demorava um tempão para falar um ai.
À falta de coisa melhor, enquanto o mecânico consertava seu caminhãozinho, o Zeca arranjou um bico: motorista do táxi da tia.
Uma tia velha e bem de vida, mas que mantinha o táxi como rendinha extra, e o motorista como seu chofer particular. Ela saía pouco e não dirigia.
Ia indo tudo bem, até o dia em que o Zeca pegou aqueles três caras, já meio fora de hora, numa corrida que "ia valer a pena". Eles iam até uma rua lá para os lados da zona leste, pegar um dinheiro com o ex-patrão, e voltariam até aquele mesmo ponto, na estação do metrô. Um corridão.
Chegando lá, o Zé estacionou o carro defronte à casa indicada, um muro bem alto com um baita portão de ferro. Dois dos passageiros desceram e o terceiro ficou ali, andando para lá e para cá na calçada, junto com o Zeca, que desligou o carro e o acompanhou, por precaução. Vai que o cara some...
Demorou, demorou, e nada dos dois aparecerem.
Ele já estava começando a ficar preocupado, quando, assim do nada, surgiu a viatura com a sirene ligada:
- Mão prá cabeça, os dois! Encosta aí no muro!
Aterrorizado, o coitado enrolou, titubeou, gaguejou e não conseguiu se explicar. Pois como é que ele haveria de adivinhar que os dois passageiros iam entrar na casa para um ajuste de contas, obrigando o caseiro a telefonar para o patrão? E que o patrão - é claro - ia chamar a polícia?
Até explicar, o Zeca foi em cana, em flagrante de roubo. Logo ele!
foto: "Prudente" - Rubian Calixto