sexta-feira, 11 de julho de 2008

O RIO DA MINHA CIDADE














O rio da minha cidade...
É só um ribeirãozinho tímido, que desce lá do alto das pedras negras e das folhagens trêmulas da serra, e vem gorgolejando, espertinho e anônimo, e ao fim desemboca sabe-se lá aonde. É um fiapo d'água desavisado, que escapou de um rio maior e despencou morro abaixo, buscando o conforto do plano, sempre bordejado de taiobas, inhames e taboas.

A cidadezinha, em decorrência, cresceu saltando para lá e para cá, entre as duas bandas do ribeiro: dum lado fica o comércio, com as suas portinhas azuis de duas folhas, e, do outro lado, ficam as casas de telhados muito velhos, que descem numa procissão meio confusa e torta até chegar no cemitério. Quase todas as casas têm um alpendre com samambaias e antúrios e nenhuma delas é muito bonita, nem muito feia. No meio da subida fica a igreja matriz, o cruzeiro de pedra e um jardinzinho honesto, rodeado de árvores antigas, sob cuja cuja sombra fresca ficam os homens mais idosos e os muitos desocupados, sentados nos banquinhos de cimento e conversando sobre as trivialidades da vida.

Depois de lamber o capim da borda das calçadas, o riozinho faz um circunflexo, e continua o seu curso vagaroso por entre velhos ipês e flamboyants, enfiando-se finalmente debaixo de uma ponte estreita, quase pinguela, na rua da Cadeia
. Mansinho, mansinho...
N
o tempo das chuvas, porém, o fiozinho d'água engrossa e chega a invadir alguns terreiros e hortas, carregando mourões e balaios ou derrubando uma ou outra porteira velha, causando espanto na população entediada e fornecendo assunto para as rodinhas de prosa.

foto: "Taioba Mansa" - Neide Rigo

7 comentários:

Carla disse...

Ai, o rio da minha cidade é o Tietê... tadinho.
Acabamos com ele.
:o(

João Eduardo Q. C. disse...

Tenho um sonho que me acompanha desde os meus primórdios: deitar sobre os seixos de um rio rasinho e deixar a água passar por mim. Um solzinho pra esquentar um pouco e dar um brilho na paisagem. O Rio da sua cidade me serviria para tanto? Fiquei imaginando que depois da bifurcação, pouco além da pinguela e da cadeia revela-se esse lugar bucólico com o qual sonho, mas acho que depois que ele passa pela sua cidade, e por passar pela cidade, ele acaba por seguir seu curso bem turvo, a não ser que sua cidade o trate como um Tâmisa.

Beijão do amigo João!

Martín Bolívar disse...

La poesía de tu río suena muy bonita.

Dona Sra. Urtigão disse...

ah! quem dera que fosse assim a minha cidade! A unica coincidência são as cheias, só que aqui o dano é maior. Parabens pelo texto...e pela cidade,real ou imaginária...

João Eduardo Q. C. disse...

Dal, noiteeeee queridona!

Então, o problema não é a aparência da companhia pra se comer pastel, o problema é o pastel. :(

Ando reclamão mesmo, Dal. Releve, pois esse sintoma costuma passar, ok? :D

Beijão!

João

João Eduardo Q. C. disse...

Noiteee, Dal!

Dal, se quiser e puder, coloque uma caixa de mensagens aqui no seu blog pra mim e os seus amigos às vezes podermos falar com você sem estragarmos o andar dos comentários das suas blogadas.

Eu também não queria ir no parque, já gostei mais disso uma época láaaaaaaa atrás, mas minha sobrinha Elen tava tão animada, nos convidou, que foi impossível negar. E ó, foi um passeio ótimo, até me surpreendi.

Obrigado por compartilhar o meu adeus ao meu 1º pacotão de arroz! (Kekekekekeke...) O cerco se fechou demais pra mim em relação à minha saúde; a coisa tá brava e preciso me "incluir fora" daquele manjado grupo de risco de infarto. Nossa, só de ouvir, pronunciar ou escrever essa palavra me dá calafrios... Estou me tratando e estou com fé! Amanhã farei um Ecodopler coronário e pelo que me conheço a minha síndrome do pânico vai dar o ar da graça. Mas vou deixar pra amanhã. QUE SEJA DO AMANHÃ O QUE FOR DO AMANHÃ!
Por ordem médica comecei a dieta alimentar tomando sibutramina. Não quero fazer apologia do medicamento, mas ele está cumprindo ótimamente o seu papel. É isso. Mas posso comer pastel vez em quando. PASTEL, NÃO PASTÉIS! (Kkkkkkkkkkkkkkk...)

Beijos estalados nas suas bochechas rosadas,

João

Suzi disse...

Um rio numa cidade é personagem. E adorei o teu.
beijos