
Terça-feira era o seu dia de folga.
Ela acordava bem cedinho, como de costume, mas vestia o vestido de sair e não o avental branco de doméstica. Já deixava arrumado de véspera, nas costas da cadeira - roupa de ver Deus.
Saía de fininho do seu quarto no porão, pisando de leve no mármore branco da escadaria. Não ia ser que alguém acordasse e pedisse para ela fazer o café da manhã.
Não na terça-feira!
O bonde passava exatamente às seis, chiando nos trilhos e alvoroçando a bruma do bairro elegante que ainda dormia. Ela cumprimentava o condutor e o bonde descia a ladeira, rumo ao centro.
Sentia-se livre como um passarinho fugido da gaiola.
Era terça-feira e ela iria encontrar a irmã Rosa, irmã na fé, que folgava na terça também. Iriam sentar, as duas felizes da vida ao sol da manhã, num banco debaixo de um coqueiro centenário da Praça Ramos, e conversar sobre a sua cidadezinha do interior de Minas e sobre as pessoas queridas que lá deixaram. O pai, a mãe... Saudade!
Depois, como faziam todas as terças, iriam almoçar no restaurante da Liga das Senhoras Católicas, debaixo do Viaduto do Chá, ou comeriam um pastel com caldo de cana, numa pastelaria qualquer. E então caminhariam juntas, de braço dado pela praça, olhando encantadas as estátuas dos cavalos, que soltavam água pela boca.
Ela acordava bem cedinho, como de costume, mas vestia o vestido de sair e não o avental branco de doméstica. Já deixava arrumado de véspera, nas costas da cadeira - roupa de ver Deus.
Saía de fininho do seu quarto no porão, pisando de leve no mármore branco da escadaria. Não ia ser que alguém acordasse e pedisse para ela fazer o café da manhã.
Não na terça-feira!
O bonde passava exatamente às seis, chiando nos trilhos e alvoroçando a bruma do bairro elegante que ainda dormia. Ela cumprimentava o condutor e o bonde descia a ladeira, rumo ao centro.
Sentia-se livre como um passarinho fugido da gaiola.
Era terça-feira e ela iria encontrar a irmã Rosa, irmã na fé, que folgava na terça também. Iriam sentar, as duas felizes da vida ao sol da manhã, num banco debaixo de um coqueiro centenário da Praça Ramos, e conversar sobre a sua cidadezinha do interior de Minas e sobre as pessoas queridas que lá deixaram. O pai, a mãe... Saudade!
Depois, como faziam todas as terças, iriam almoçar no restaurante da Liga das Senhoras Católicas, debaixo do Viaduto do Chá, ou comeriam um pastel com caldo de cana, numa pastelaria qualquer. E então caminhariam juntas, de braço dado pela praça, olhando encantadas as estátuas dos cavalos, que soltavam água pela boca.
Mais tarde, pegariam o ônibus com destino ao Brás: na bolsa, levavam os véus muito branquinhos, a Bíblia e o Hinário. Orariam contritas, cantariam hinos e dariam glórias. Escutariam a Palavra, aceitando tudo com fé genuína.
Na volta, já noite escura, viriam as duas em silêncio, pensando no que haviam escutado e observando a garoazinha enjoada e infalível da São Paulo de então, que desenhava arabescos nos paralelepípedos da rua.
Um dia tudo aquilo haveria de mudar, pois acreditavam que teriam uma casa só sua, um lugar para onde ir quando chegasse a terça-feira.
Na volta, já noite escura, viriam as duas em silêncio, pensando no que haviam escutado e observando a garoazinha enjoada e infalível da São Paulo de então, que desenhava arabescos nos paralelepípedos da rua.
Um dia tudo aquilo haveria de mudar, pois acreditavam que teriam uma casa só sua, um lugar para onde ir quando chegasse a terça-feira.